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Citações e Epígrafes

De Abaete

 

Índice de conteúdo

[editar] Sobre a diferença levistraussiana entre Antropologia e Filosofia, e mais...

TEOLOGIA DO TRASTE

As coisas jogadas fora por motivo de traste
são alvo da minha estima.
Prediletamente latas.
Latas são pessoas léxicas pobres porém concretas.
Se você jogar na terra uma lata por motivo de
traste: mendigos, cozinheiras ou poetas podem pegar.
Por isso eu acho as latas mais suficientes, por
exemplo, do que as idéias.
Porque as idéias, sendo objetos concebidos pelo
espírito, elas são abstratas.
E, se você jogar um objeto abstrato na terra por
motivo de traste, ninguém quer pegar.
Por isso eu acho as latas mais suficientes.
A gente pega uma lata, enche de areia e sai
puxando pelas ruas moda um caminhão de areia.
E as idéias, por ser um objeto abstrato concebido
pelo espírito, não dá para encher de areia.
Por isso eu acho a lata mais suficiente.
Idéias são a luz do espírito — a gente sabe. Há idéias luminosas — a gente sabe.
Mas elas inventaram a bomba atômica, a bomba
atômica, a bomba atôm.................................
......................................................Agora
eu queria que os vermes iluminassem.
Que os trastes iluminassem.
(Manoel de Barros, Poemas Rupestres)

[editar] "Quero julgar!"

Não sei se o público espera que o crítico julgue as obras ou os autores. Mas creio que os juízes já estavam aí antes que o público pudesse dizer o que queria. Parece que Courbet tinha um amigo que se acordava à noite urlando: "julgar, quero julgar". É incrível quanto as pessoas gostam de julgar. Julga-se em todo lugar, continuamente. Provavelmente, para a humanidade, é uma das coisas mais simples a fazer. Mas você sabe que o último homem, quando a última radiação houver reduzido o último adversário a cinzas, tomará uma mesa mal ajeitada, se sentará e começará o processo contra o responsável. Não posso deixar de pensar em uma crítica que não procure criticar, mas fazer existir uma obra, uma frase, uma idéia; acenderia fogos, olharia a grama crescer, escutaria o vento e imediatamente tomaria a espuma do mar para a dispersar. Reproduziria, ao invés de juízos, sinais de vida; invocá-los-ia, arrancá-los-ia do seu sono. Quem sabe os inventaria? Tanto melhor, tanto melhor. A crítica sentenciosa faz-me adormentar; gostaria de uma crítica feita com centelhas de imaginação. Não seria soberana, nem vestida de vermelho. Traria consigo os raios de possíveis tempestades.

(Michel Foucault, O Filósofo Mascarado)





[editar] Sobre o admirável novo mundo da universidade produtiva (viva o Qualis!!!)

It was always a bit of a lie that universities were self-governing institutions. Nevertheless, what universities suffered during the 1980s and 1990s was pretty shameful, as under threat of having their funding cut they allowed themselves to be turned into business enterprises, in which professors who had previously carried on their enquiries in sovereign freedom were transformed into harried employees required to fulfil quotas under the scrutiny of professional managers. Whether the old powers of the professoriat will ever be restored is much to be doubted.

In the days when Poland was under the Communist rule, there were dissidents who conducted night classes in their homes, running seminars on writers and philosophers excluded from the official canon (for example, Plato). No money changed hands, though there may have been other forms of payment. If the spirit of the university is to survive, something along those lines may have to come into being in countries where tertiary education has been wholly subordinated to business principles. In other words, the real university may have to move into people's homes and grant degrees for which the sole backing will be the names of the scholars who sign the certificates.

(J.M. Coetzee, Diary of a Bad Year)





[editar] Divisões Exitosas

"Um dia me chamaram primitivo:
Eu tive um êxtase.
Igual a quando chamaram Fellini de palhaço:
E Fellini teve um êxtase."
(Manoel de Barros, Retrato do Artista quando Coisa)


[editar] Divisões perigosas

"To be black is to be the actor. To be white is to be the critic."
(Don DeLillo, Americana)



[editar] Sobre as teorias nativas

"In the positivist tradition of functionalism, religious thought has been regarded as little more than a curiosity, once its 'function' as adaptive or maladaptive, as the case may be, has been set forth. The content and architecture of religious thought strikes functionalists as irrelevant to the grand design of adaptation. Even Lévi-Strauss, who more than anyone has brought the 'savage mind' onto the exalted heights of the philosopher's Parnassus, has been preoccupied with the innate structures of the human mind to the neglect of the majestic integrative achievements of any particular 'savage' tradition. Thus we as students are left with the impression that cultures and their great traditions are shaped by forces beyond direct access to the human intellect and outside of human will.
Can the anthropological theorist justifiably deny theoretical insight to his subjects?"
(Irving Goldman, The Mouth of Heaven, an introduction to Kwakiutl religious thought, New York, Wiley-Interscience 1975, p. 209).


"It was once a general assumption in ethnomusicology that nonliterate peoples, who did not notate their music, did not have ‘theories of music’. Music theory was a special accomplishment of the West that allowed ‘us’ to analyze ‘them’. (…) I have long felt uncomfortable with such assumptions, believing, on the contrary, that wherever there is music, there is some kind of theory underlying its production and significance…”
(S. Feld, Sound and sentiment, p. 163)


"[C]ulturally distinctive ideas about personhood and sociality are not simply ideas within which people live their lives, but also ideas about which people craft judgement and take positions. (…) My findings ultimately support reinvigorated recognition of the powerfully constitutive role of speakers’ reflexive ideas about social personhood and about language use in shaping diverse person-referring practices of worldwide distribution, including teknonymy, affinal avoidance, nickname-like aspects of personal naming systems, and all kinterms. (.... ....) [T]he irreducible contribution of people’s reflexive ideas about their own linguistic actions to the shaping of those actions. (…) Often some of the most interesting and important of these ideas do not take explictly theoretical form but subsist in the corners and pressupositions of people’s statements, or in non-discursive facts. Yet, this does not mean the ideas are unreflective, and devoid of meta-cultural content, in the manner of habitus. Nor does it relieve ethnographers of reading even oblique evidence for what it can tell us of people’s reflective ideological models. etc.”
(Rupert Stasch, Figures of alterity among the Korowai of Irian Jaya, PhD Chicago 2001: 106; 140).


[editar] Quem tem medo de Wittgenstein?

"Sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais" (Oswald de Andrade, Manifesto Antropófago).



[editar] Três Afro-Epígrafes

Sobre a tradição (a nossa):

"(...) curiosa regra da etiqueta de nossa etnologia, em vigor pelo menos no campo aqui abordado: a praxe de só discutir com os mortos" (Ordep Serra, Águas do Rei, p. 8).


Sobre a invenção da tradição (a dos outros):

"Sugerir que Edson Carneiro a guiou [Mãe Aninha, do Axé Opô Afonjá] em sua vida religiosa ou ensinou-lhe a tradição nagô equivale dizer que Clementina de Jesus era dublada por Tinhorão" (Ordep Serra, Águas do Rei, p. 59).


Sobre a invenção (a de todo mundo):

"Eu gostaria não de agradar vocês, que a gente não faz nada para agradar, a gente diz uma coisa para se conversar, para se estudar" (Olga de Alaketo, I Encontro de Nações-de-Candomblé, p. 27).



[editar] Para meditação

"On comprend donc ce que nous entendons par voie d’accès privilégiée à Deleuze : une voie d’accès à ce qu’il y a à la fois de déroutant, de difficile, voire de problématique chez lui. La philosophie de Deleuze n’est pour moi ni évidente ni satisfaisante, la raison de notre intérêt pour elle est toute différente : elle ne me laisse pas tranquille. Cette remarque ne vise pas à attirer l’attention sur mon cas, elle tente de définir une attitude philosophique : une philosophie n’est intéressante que par ses aspects déroutants, à la fois étranges et attirants. Dans le cas contraire, elle devient une doctrine, un signe de reconnaissance pour une communauté de fidèles. C’est pourquoi il ne faut pas chercher à masquer les contradictions apparentes du philosophe qu’on aime ; il faut au contraire en partir, et ne pas cesser de les affronter; y voir, non pas des apories définitives comme le ferait un réfutateur, mais le signe sûr d’une perspective inhabituelle." (F. Zourabichvili, "Deleuze et la question de la littéralité").



[editar] Só para lembrar (o que significa levar a sério)

"An anthropology that refuses to accept the universality of mediation, that reduces meaning to belief, dogma, and certainty, is forced into the trap of having to believe either in the native meanings or our own." (The Invention of Culture, p. 30)


"Unless we are able to hold our own symbols responsible for the reality we create with them, our notion of symbols and of culture in general will remain subject to the 'masking' by which our invention conceals its effects. This does not mean that the anthropologist is obliged to 'believe in' the realities of the peoples he studies, or that he is obliged to forego living and participating in his own culture. It implies rather that the individual who is able to penetrate the workings of invention and 'belief' will be able to deal with meanings without being 'used' by them." (id., p. 144-45; itálicos no original)


Cuidado portanto com as bobagens que se falam por aí. (evc)



[editar] Tradução

Traduzir é trazer o outro ao texto. Copiar, porque "copiar um texto o abre sem o violar". Traduzir é adulterar: "adulteramos o que está escrito, mas esse adultério é pleno de ensinamentos, revela-nos o que o nosso sexo de ler está vendo".Tradução é, aqui, uma forma de des-atenção na intensividade, dívida que se paga e dádiva que se faz.(João Barrento, comentando o pensamento da escritora Maria Gabriela Llansol sobre tradução)

[editar] Arqueologia e/é antropologia

"L'horizon auquel s'adresse l'archéologie, ce n'est donc pas une science, une mentalité, une culture; c'est un enchevêtrement d'interpositivités dont les limites et les points de croisements ne peuvent pas êtres fixés d'un coup. L'archéologie: une analyse comparative qui n'est pas destinée à réduire la diversité des discours et à dessiner l'unité qui doit les totaliser, mais qui est destinée à répartir leur diversité dans des figures différentes. La comparaison archéologique n'a pas un effet unificateur, mais multiplicateur." (L'Archéologie du savoir, Gallimard 1969, pp. 208-09)

[editar] Mais arqueologia e/é antropologia

"- À quelle discipline appartient selon vous votre recherche? À la philosophie? S'agit il d'une 'critique' qui pourrait servir d'appoint à certaines sciences humaines?
- Il m'est difficile de classer une recherche comme la mienne à l'intérieur de la philosophie ou des sciences humaines. Je pourrais la définir comme une analyse des faits culturels qui caractérisent notre culture. En ce sens, il s'agirait de quelque chose comme d'une ethnologie de la culture à laquelle nous appartenons. Je cherche en effet à me situer à l'extérieur de la culture à laquelle nous appartenons, à en analyser les conditions formelles pour en faire la critique, non pas au sens où il s'agirait d'en réduire les valeurs, mais pour voir comment elle a pu effectivement se constituer. En outre, par l'analyse des conditions mêmes de notre rationalité, je mets en question notre langage, mon langage, dont j'analyse le mode sur lequel il a pu surgir.
- Bref, vous faites une ethnologie de notre culture?
- Ou, à tout le moins, de notre rationalité, de notre 'discours'"
(in: "Qui êtes-vous, professeur Foucault?" Entretien avec Paolo Caruso, 1967. Dits et Écrits I: 605-605)

[editar] Do intervalo constante entre paralelas

"[L]’anthropologie – discipline dont le propre est de mettre en parallèle le point de vue de l’ethnologue et celui de ses sujets d’étude pour en tirer un outil de connaissance..." (Anne-Christine Taylor, projeto de criação do Departamento de Pesquisa do Musée du Quai Branly, 2005)
"[A] number of current projects that seek to displace the form of object-context relations with analytical and artefactual relations between the analyst and the object of analysis..." (Annelise Riles in JRAI 10/4 2004, p. 787)

[editar] Grupos sujeitos e heterogênese

"Os grupos sujeitos opõem-se aos grupos sujeitados. Tal oposição implica uma referência micropolítica: o grupo sujeito, tem por vocação gerir, na medida do. possível, sua relação. com as determinações externas e com sua própria lei interna. 0 grupo sujeitado, ao contrário, tende a ser manipulado por todas as determinações externas e a ser dominado por sua própria lei interna (superego)" (Guattari, Micropolítica. Cartografias do Desejo, p. 319).
"O jazz nasceu a partir de um mergulho caósmico, catastrófico, que foi a escravização das populações negras nos continentes norte e sul-americano. E, depois, por meio dos mais residuais ritornelos dessa subjetividade negra, houve uma conjunção de ritmos, de linhas melódicas, com o imaginário religioso do cristianismo, com dimensões residuais do imaginário das etnias africanas, com um novo tipo de instrumentação, com um novo tipo de socialização no próprio seio da escravidão e, em seguida, com encontros intersubjetivos com as músicas folk brancas que estavam por lá; houve, então, uma espécie de recomposição dos territórios existenciais e subjetivos no seio dos quais não só se afirmou uma subjetividade de resistência por parte dos negros, mas que, além do mais, abriu linhas de potencialidade para toda a história da música, e não unicamente a história da música norte-americana — lembro vocês que Debussy e Ravel, os maiores músicos ocidentais, foram extremamente influenciados por esse ritmo e por essa música de jazz. Temos aí, portanto, o exemplo de um mergulho caósmico, no abandono quase total da escravidão negra, que enriqueceu os mais elaborados universos musicais" (Guattari, Entrevista a Rogério da Costa e Josaida Gondar, 1992).

[editar] Antropofagia e/é antropologia

"...a antropofagia é todo o contrário de uma imagem identitária"
(Suely Rolnik)

[editar] Onde há prazer

Creio que onde há prazer, o conhecimento está próximo. (Ma. Gabriela Llansol, Finita)

[editar] O que é, lá

The Foi world is not the world of the good citisens from the Greek polis or of twentieth-century urban dwellers. Foi women and men have always had to do their own violence. There are no specialised agencies to do dirty work on behalf of those who, averse to violence, practise the piety of non-violence. (Iadran Mimica resenhando J. Weiner, The Empty Place: Poetry, Space and Being among the Foi of papua New Guinea in The Australian Journal of Anthropology 4/2, 1993).

[editar] Stengers

Uma bela definição do “princípio de simetria”, que aproxima a história das ciências da antropologia, pode ser encontrada em A Invenção das Ciências Modernas, de Isabelle Stengers (Trad.: Ed. 34, Rio de Janeiro, 2002 [1993]):

“Trata-se de tirar conseqüências do fato de que nenhuma norma metodológica geral pode justificar a diferença entre vencedores e vencidos criada pelo encerramento de uma controvérsia (...). O princípio de simetria exige que não nos fiemos na hipótese desta racionalidade, que conduz o historiador a tomar emprestado o vocabulário do vencedor para contar a história de uma controvérsia” (p. 17).


Eis mais alguns trechos inspiradores:

“Se a natureza não dá saltos, nada é mais temível, como nota Samuel Butler, que o ser humano que acredita ter dado um, o convertido que se volta ferozmente ou devotamente contra aqueles que permaneceram na ilusão da qual ele acaba de se afastar” (“Não existe pior perseguidor de um grão de milho que um outro grão de milho quando está totalmente identificado com uma galinha”) (p. 26).
“Trata-se de aprender a utilizar as palavras que não dão, como por vocação, o poder de ‘revelar’ (a verdade por detrás das aparências) ou de ‘denunciar’ (as aparências que ocultavam a verdade) (p. 27).
“O riso de quem devia estar impressionado complica sempre a vida do poder” (p. 29).
“O ‘sentimento da verdade’ em caso algum é desculpa para não se levar em conta as consequências do que nós consideramos verdadeiros” (p. 29).
“Duas versões distintas do princípio de simetria, instrumento de redução ou vetor de incerteza” (p. 85).
“Para a meditação dos sociólogos-irônicos: o que cairá sobre nós, mais pesado do que nunca, se eles conseguirem convencer os cientistas de que sua atividade é inquestionavelmente redutível a jogos de poder?” (p. 138).
“A singularidade que proponho para as ‘ciências modernas’ separa efetivamente verdade e poder e não ratifica a tese da ‘grande divisão’ em nome da qual nós reconhecemos que, infelizmente, os saberes tradicionais estão condenados, por desequilíbrio de forças, pela simples existência de saberes modernos” (p. 160).
“O que um campo permite afirmar, um outro campo pode contradizer sem que por isso um dos testemunhos seja falso, ou sem que as duas situações possam ser julgadas intrinsecamente diferentes” (p. 170).
“O princípio da conquista em que o indígena é a priori definido do ponto de vista de sua disponibilidade à submissão, teria dado lugar ao princípio da multiplicidade” (p. 185).
“O ‘Parlamento das coisas’ tem as virtudes do humor, único capaz de resistir sem odiar, sem denunciar em nome de uma força superior aquilo a que se trata de opor-se” (pp. 185-186).


“He who mocks the Infant’s Faith
Shall be mock’d in Age & Death
He who shall teach the Child to Doubt
The rotting Grave shall ne’er get out
He who respects the Infant’s Faith
Triumphs over Hell & Death”

(William Blake, citado por Isabelle Stengers em Cosmopolitiques 7. Pour en finir avec la tolérance, p. 15).


[editar] Sobre políticas de cotas

“A tribo-raça só existe no nível de uma raça oprimida, e em nome de uma opressão que ela sofre: só existe raça inferior, minoritária, não existe raça dominante, uma raça não se define por sua pureza, mas, ao contrário, pela impureza que um sistema de dominação lhe confere. Bastardo e mestiço são os verdadeiros nomes da raça” (Deleuze e Guattari, Mille Plateaux, 1980, p. 470 - vol. 5, p. 50, da edição brasileira).

[editar] Sobre o retorno do paleolítico: McLuhan/Cage

One of the strange changes that is taking place in our world - John Cage recently gave me a curious example of what it meant to him - is that we're moving out of the world of the planter, out of the world of the specialist, out of the world of the fragmented person into the world of the hunter, the unified person. This is the meaning of James Bond, it's the meaning of the sleuth, the meaning of the obsession with crime in our world, because the criminal and the criminologist alike are both hunters. They belong to the old paleolithic world and are really a new type of human being in our midst - the person who explores the total human environment the way the old hunter and the food-gatherer used to explore his entire environment as a unified field. Man the planter, man the basket-weaver, man the pot-maker came in after the paleolithic man, an we've had thousands of years of the planter. When I mentioned this to John Cage, he said, "You know, that's very interesting. I spend my life hunting mushrooms. I am not at least bit interested in cultivating them." This is a curious illustration of the difference between the two kinds of man. The hunter is not concerned with classification or specialism or the processes of cultivation, only with discovery. (M. McLuhan, por cortesia de Hermano Vianna)
indicação: esse e outros textos (até então) inéditos de marshall mcluhan podem ser encontrados em português na recente publicação *McLuhan por McLuhan - Entrevistas e Conferências Inéditas do Profeta da Globalização*. o subtítulo do livro é meio sacana (mcluhan, ele próprio, cansava de dizer que adorava prever o que já tinha acontecido, e que esse era sempre o caráter de todas as suas previsões), mas as conferências (principalmente) são ótimas. (caco)

[editar] Escandalizar

"Ubiquité ou multiprésence des êtres, identité de l'un et du plusiers, du même et de l'autre, de l'individu et de l'espèce, tout ce qui ferait le scandale et le désespoir d'une pensée assujettie au principe de contradiction est implicitement admis par [la] mentalité prélogique." (L. Lévy-Bruhl, Les fonctions mentales dans les sociétés inférieures, 1918 [1910], p. 428)

[editar] Marilyn on Haraway

"[T]he view from a body rather than the view from above." (Partial Connection: 32)

[editar] Idem, sobre relações sociais

"Social relations are a phenomenon an outsider cannot describe without participating in indigenous formulations."(Partial Connections: 101)



[editar] Sobre o conhecimento ou como chegamos a conhecer algo?

"Para mim a questão de como chegamos a conhecer algo, ou, de fato, as condições da possibilidade de afirmarmos que sabemos, podemos respondê-la melhor se nos voltarmos para uma questão anterior: quem é esse 'nós' que faz com que a questão se torne uma questão para nós? Como é que esse 'nós' foi construído em relação a essa questão do conhecimento? Em outras palavras: como a própria questão epistemológica se tornou possível?" (Judith Butler, "Como os corpos se tornam matérias: entrevista com Judith Butler"; Revista Estudos Feministas, vol.10/1)



[editar] Diferença

"As diferenças não existem para serem respeitadas, ignoradas ou subsumidas, mas para servirem de isca aos sentimentos, de alimento para o pensamento. Lures for feelings, food for thought". (Bruno Latour)



[editar] Aliança

“Alliance” is a good and a bad word. Every word is good if it can be used to cross the boundary between people and things. So alliance is a good word if you use it for a microbe. Force is a good word if you use it for a human. (B. Latour in T.H. Crawford, “An Interview with Bruno Latour”, Configurations 1/2 (1993): 247-268). [Ver, sobre isso, Filiação intensiva e aliança contra-natureza]



[editar] Anthropological uncertainty principle

(Patrick Wolfe sobre o termo ‘indígena,’ em resposta a Adam Kuper et al.:)

The term refers to a field of discourse. Indigenous peoples’ self-ascription has an address - their colonisers, who respond to it. Thus it is not a matter of making choices in a competition between rival contents or ontologies, or even between positive and negative evaluations, which are the terms in which the debate between Kuper and the engaged anthropologists has become enclaved. Rather, the field of indigeneity encompasses the competition itself, which is inseparable from the politics of territorial expropriation.
[…]
…indigeneity is not just a matter of native self-ascription, though it is such a matter. It is also, among other things, a matter of settler imposition.
(p.26)
Within this contested field, there are no innocent utterances and, whether Kuper likes it or not, no innocent anthropology. Thus a ‘relational’ account needs to be total. In particular, it should extend to a reflexivity that factors in anthropology’s own participation in its object of study, a kind of anthropological uncertainty principle. In contrast to the revisionists, whom he cites in his own support, Kuper assigns no historical specificity to indigenous peoples. Rather, he confines himself to negation. Whatever the extent of his reflexive awareness, this negation is unavoidably assimilationist.
(p.27)
Social Anthropology (2006) 14/1.


(link para baixar o pdf: SA 2006)



[editar] Proudhon

"Ser governado, é ser mantido à vista, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, encerrado, doutrinado, exortado, controlado, analisado, apreciado, censurado, comandado por seres que não possuem nem título, nem ciência, nem virtude. Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, anotado, registrado, recenseado, tarifado, medido, marcado, cotizado, patenteado, licenciado, autorizado, admoestado, impedido, reformado, endireitado, corrigido. E, sob pretexto de utilidade pública, e em nome do interesse geral, ser posto sob contribuição, exercitado, espoliado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; depois, à menor resistência, à primeira palavra de lamento, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, encurralado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar mais nada, exibido, escarnecido, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral”
(Citado por René Château em "Introduction à la Politique", 1947, p. 405).


"A despeito do entendimento cujo esforço leva incessantemente a resolver a diversidade na unidade, os dois princípios continuam presentes e sempre em oposição"
(Trecho encontrado em página na internet, sem referência bibliográfica.)

[editar] Episteme

"O velho ideal científico da episteme, o ideal de um conhecimento científico absolutamente certo e demonstrável, revelou-se um fetiche. A exigência de objetividade científica torna inevitável que todo enunciado científico seja dado, e permaneça necessariamente e, para sempre, a título de ensaio."
(Karl Popper)



[editar] Calvino

"Every thing has already begun before" (Italo Calvino, citado por Jeanette Edwards)



[editar] Samuel Butler precursor de Tarde (1)

"[E]ven the corn in the fields grows upon a superstitious base as to its own existence, and only turns the earth and moisture into wheat through the conceit of its ability to do so, without which faith it were powerless; and the lichen only grows upon the granite rock by first saying to itself, 'I think I can do it'..." (Life and Habit, 1877)



[editar] Por ocasião do décimo aniversário da morte de TL

"The real war is between those who are turned on, and those who are uptight." - Timothy Leary (October 22, 1920 - May 31, 1996)

[editar] Sobre exploração e a crença no maravilhoso

"Eu sou praticamente ativo - laborioso, um operário pronto a executar tudo com perserverança e trabalho -, mas ao mesmo tempo tenho amor pelo maravilhoso, uma crença no maravilhoso entremeada em todos os meus projetos, e que faz com que eu me afaste dos caminhos comuns do homem, chegando mesmo a me impelir para o mar selvagem e para as regiões desconhecidas que estou prestes a explorar."
(Trecho da Carta II de Robert Walton em Frankenstein, Mary Shelley).

[editar] Feyerabend

Será que a ciência como a conhecemos hoje, ou uma "busca pela verdade" no estilo da filosofia tradicional criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Feyerabend#Trabalhos_a_respeito_da_natureza_do_m.C3.A9todo_cient.C3.ADfico


[editar] Nietzsche e a moral cristã

Não parece haver, entre os moralistas, um ódio à floresta virgem e aos trópicos? E uma necessidade de desacreditar a todo custo o "homem tropical", seja como doença e degeneração do homem, seja como inferno e automartírio próprio? Mas por quê? Em favor das "zonas temperadas"? Em favor dos homens temperados? Dos homens "morais"? Dos medíocres? - Isto para o capítulo "Moral como pusilanimidade".


Todas essas morais que se dirigem à pessoa individual, para promover sua "felicidade", como se diz - que são elas, senão propostas de conduta, conforme o grau de periculosidade em que a pessoa vive consigo mesma; receitas contra suas paixões, suas inclinações boas e más, enquanto têm a vontade de poder e querem desempenhar o papel de senhor; pequenas e grandes artimanhas e prudências, cheirando a velhos remédios caseiros e sabedoria de velhotas ; todas elas barrocas e irracionais na forma - porque se dirigem a "todos", porque generalizam onde não pode ser generalizado - todas elas falando em tom incondicional, tomando a si de modo incondicional, todas elas condimentadas com mais de um grão de sal, mas apenas toleráveis, e por vezes até sedutoras, quando aprendem a soltar um cheiro excessivo e perigoso "do outro mundo": tudo isso tem pouco valor medido intelectualmente, está longe de ser "ciência", menos ainda "sabedoria"; na verdade é, diga-se mais uma vez, diga-se três vezes, prudência, prudência, prudência, mesclada com estupidez, estupidez, estupidez - quer se trate da indiferença e frieza de estátua frente ao exuberante desatino dos afetos, que os estóicos prescreviam e aplicavam; ou do não-mais-rir e não-mais-chorar de Spinoza, a destruição dos afetos mediante análise e vivissecção, tão ingenuamente preconizada por ele; ou da redução dos afetos a uma mediania inócua, na qual seja permitido satisfazê-los: o aristotelismo da moral; ou mesmo da moral como fruição dos afetos numa intencional diluição e espiritualização pelo simbolismo da arte, em forma de música, digamos, ou de amor a Deus, e ao próximo em nome de Deus - pois na religião as paixões readquirem cidadania, contanto que...; quer se trate afinal do complacente e travesso abandono aos afetos, tal como Hafiz e Goethe ensinaram, aquele ousado afrouxamento das rédeas, a espiritual e carnal licentia morum praticada excepcionalmente por velhos sábios excêntricos e bêbados, para os quais "já não há perigo". Também isto para o capítulo "Moral como pusilanimidade".
(Nietzsche, Além do Bem e do Mal)

[editar] Universidade e o mito da sociedade

"O sistema escolar de hoje desempenha a tríplice função, própria das poderosas igrejas no decorrer da História. É simultaneamente o repositório do mito da sociedade; a institucionalização das contradições desse mito; o lugar do rito que reproduz e envolve as disparidades entre mito e realidade. O sistema escolar, hoje, e sobretudo a universidade, oferece grande oportunidade para criticar o mito e para rebelar-se contra suas perversões institucionais. Mas o rito que exige tolerância das fundamentais contradições entre mito e instituição ainda permanece inquestionável, pois nem a crítica ideológica e nem a ação social podem fazer surgir uma nova sociedade. Unicamente o desengano seguido de uma ruptura com o rito social central e a reforma desse rito pode trazer mudanças radicais"

Ivan Ilich, "A Ritualização do Progresso" em Sociedade Desescolarizada
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